Querido Pedro,
Desculpa-me a demora desta carta. Passei o fim-de semana perdida nas ruas do Porto, perdida em nós. Pensei mais do que queria, e talvez por isso, deva já pedir-te desculpas pelas minhas palavras e pelos sentimentos que elas poderão despertar em ti.
Também eu me sinto doente e cansada, também eu me pergunto se estas cartas que trocamos fazem sentido.
Sabes, não te vou julgar pelo que fizeste. "Fiquei feliz por teres vindo, mas nunca pensei que trouxesses o teu corpo contigo". Talvez agora percebas a minha loucura.
Eu encarreguei-me, sozinha, de me certificar de que as nossas vidas não se cruzavam, mas para isso,eu precisava de passar pelo sofrimento de te ver todos os dias.
A tua reacção não foi diferente da que imaginei, se um dia aquilo viesse a acontecer, porque te sei de cor. Sei que sempre tiveste problemas em encarar de frente o que não conseguias ter, e que, por isso mesmo, chegavas a não querer.
Dizes não saber até onde te levaram as pernas, pois bem, digo-to eu: Rio. Há semanas que, antes de ir trabalhar passo por lá, nem eu sei bem porquê. Nesse dia encontrei-te e meu coração parou.
Preocupei-me contigo, olhando-te dali, de dentro do carro. O teu cabelo desalinhado, a cara desesperada e os olhos esbugalhados olhando para quem passava pintavam-me o retrato que temia ver um dia.
Não sei se conseguirás um dia voltar a tolerar a minha presença, não sei se o queres, nem mesmo se eu o quero. Nas cartas que escrevemos, é rara a vez em que não invocamos palavras ou imagens do passado, mas quando ele se nos depara mesmo em frente aos olhos, não sabemos como lidar com ele.
Lembras-te, "Mesmo o que é passado existe na totalidade do seu presente se em vez do seu conteúdo nos concentarmos na intensidade"? É o sentido desta frase que nos vai dando sentido aos dias.
Pensei muito no que disseste sobre as cartas. Sei que nos traz sofrimento, muito. Sei também que, ao voltar da agência, corro na esperança de encontrar uma carta tua, uma carta que me traga um pouco de ti para junto de mim, sem remorsos nem culpas insuportáveis.
Nem sei porque te deixei o anel, talvez para que, ao pousares os olhos nele, os pouses também em mim. Talvez porque o meu egoísmo não aceite que me esqueças por um minuto sequer, embora passe muito tempo a dizer-te o contrário. Talvez porque quis que, ao contrario de mim, tivesses algo palpável daquela noite. Talvez...
Deixo agora a mais importante decisão nas tuas mãos: continuamos com esta loucura ou perdemos o único sopro que sempre nos uniu? Deixamos para trás o sofrimento que estas cartas nos provocam, ou deixamos tudo para trás? A decisão é tua, e eu vou saber respeitá-la, concordando com ela ou não.
Despeço-me, com palavras que não são minhas, repletas de sentimentos meus: "Ninguém pode aconselhar-te ou ajudar-te, ninguém. Só há uma maneira. Concentra-te em ti. Procura a razão que te leva a escrever. Descobre se morrerias se a possibilidade de escrever t6e fosse negada." Rainer Rilke
Desculpa-me a demora desta carta. Passei o fim-de semana perdida nas ruas do Porto, perdida em nós. Pensei mais do que queria, e talvez por isso, deva já pedir-te desculpas pelas minhas palavras e pelos sentimentos que elas poderão despertar em ti.
Também eu me sinto doente e cansada, também eu me pergunto se estas cartas que trocamos fazem sentido.
Sabes, não te vou julgar pelo que fizeste. "Fiquei feliz por teres vindo, mas nunca pensei que trouxesses o teu corpo contigo". Talvez agora percebas a minha loucura.
Eu encarreguei-me, sozinha, de me certificar de que as nossas vidas não se cruzavam, mas para isso,eu precisava de passar pelo sofrimento de te ver todos os dias.
A tua reacção não foi diferente da que imaginei, se um dia aquilo viesse a acontecer, porque te sei de cor. Sei que sempre tiveste problemas em encarar de frente o que não conseguias ter, e que, por isso mesmo, chegavas a não querer.
Dizes não saber até onde te levaram as pernas, pois bem, digo-to eu: Rio. Há semanas que, antes de ir trabalhar passo por lá, nem eu sei bem porquê. Nesse dia encontrei-te e meu coração parou.
Preocupei-me contigo, olhando-te dali, de dentro do carro. O teu cabelo desalinhado, a cara desesperada e os olhos esbugalhados olhando para quem passava pintavam-me o retrato que temia ver um dia.
Não sei se conseguirás um dia voltar a tolerar a minha presença, não sei se o queres, nem mesmo se eu o quero. Nas cartas que escrevemos, é rara a vez em que não invocamos palavras ou imagens do passado, mas quando ele se nos depara mesmo em frente aos olhos, não sabemos como lidar com ele.
Lembras-te, "Mesmo o que é passado existe na totalidade do seu presente se em vez do seu conteúdo nos concentarmos na intensidade"? É o sentido desta frase que nos vai dando sentido aos dias.
Pensei muito no que disseste sobre as cartas. Sei que nos traz sofrimento, muito. Sei também que, ao voltar da agência, corro na esperança de encontrar uma carta tua, uma carta que me traga um pouco de ti para junto de mim, sem remorsos nem culpas insuportáveis.
Nem sei porque te deixei o anel, talvez para que, ao pousares os olhos nele, os pouses também em mim. Talvez porque o meu egoísmo não aceite que me esqueças por um minuto sequer, embora passe muito tempo a dizer-te o contrário. Talvez porque quis que, ao contrario de mim, tivesses algo palpável daquela noite. Talvez...
Deixo agora a mais importante decisão nas tuas mãos: continuamos com esta loucura ou perdemos o único sopro que sempre nos uniu? Deixamos para trás o sofrimento que estas cartas nos provocam, ou deixamos tudo para trás? A decisão é tua, e eu vou saber respeitá-la, concordando com ela ou não.
Despeço-me, com palavras que não são minhas, repletas de sentimentos meus: "Ninguém pode aconselhar-te ou ajudar-te, ninguém. Só há uma maneira. Concentra-te em ti. Procura a razão que te leva a escrever. Descobre se morrerias se a possibilidade de escrever t6e fosse negada." Rainer Rilke
4 Comments:
gente não quero saber se ele morreria se parasse de escrever...ha outra coisinha em questão...EU morreria...lol ok morrer tb nao, mas k ficava mt trise ai isso ficava...ai de ti Pedro...se tu fazes isso, tenta não te cruzar comigo na rua nos proximos tempos...tenho dito.
P.S. Helena gostei mt da carta, está muito bonita e faz-nos ver mesmo a imagem que transmites, ele desalinhado no rio, olhos fixos esbugalhados..mt bem:)
ele quer... ela quer... querem os dois... e agora?
calma la... Entao nao tamos todos aqui a escrever e ler cartas dia apòs dia para sustentar o que estava ameaçado por um amor?Nao foram estas cartas o meio. Elas sao o risco mas a cima de tudo a essencia a amizade que os une... Meninos:
Juizooooo!!!!!!!!!!!!!!!
Nao quero ninguem aqui a desistir da coisa!!! Toca a pensar nos fundamentos!!! Ala!!!
Quanto à carta, mais uma vez, Helena, Brilhante... Cioncidentemente brilhante, como as outras;o)
Parabens!
:o)
Ora bem... depois de ler os comentários acima fiquei baralhada, para n variar.
Afinal a questão que se põe aki é se param de escrever ou se continuam com as cartas, certo? Foi o que interpretei da carta.
Começa logo bem:
"Passei o fim-de semana perdida nas ruas do Porto, perdida em nós." - Líndíisssiiiimmo!!
"... se um dia aquilo viesse a acontecer, porque te sei de cor. " - é tão bonito!!
"O teu cabelo desalinhado, a cara desesperada e os olhos esbugalhados olhando para quem passava pintavam-me o retrato que temia ver um dia." - e continuamos por aqui fora com frases soberbas... Helena! tu és fixe!
E agora comentário à situação:
Deixem de ser parvos e livrem-se de parar de escrever cartas! Pensam que fazem o que bem lhes apetece? lembrem-se lá pk é que as começaram a escrever e partilhem ca gente pk eu inda n percebi...
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