Querida Helena,
Não vou pedir desculpa pelo que disse na última carta, não vou retirar o que disse, o que fiz e disse tem o seu tempo, lugar e razão que felizmente já não me são comuns. Guarda a última carta, queima-a, esquece a última Quinta-Feira ou lembra-te dela sempre que puseres na rua. Não te vou pedir nada do mesmo modo que não vou aceitar os teus pedidos em relação a isto.
Fui passar o fim-de semana com os meus pais e é graças a isso que ainda te consigo escrever. Ainda me roda a cabeça, ainda sinto o suor nas costas mas já consigo olhar-me ao espelho e ver o teu anel no meu peito. A minha mãe não me perguntou nada que não fosse necessário e isso deu-me a paz de espírito para poder organizar-me. O chão gelado da fonte contra os meus pés frios também me ajudou muito.
Não sei se te vou conseguir ver nos próximos tempos, mas o nosso passado deixa-me o sabor de certeza que tudo isto passará. O amor, o desejo,o desgosto, a tristeza e o ódio, tudo passará e deixará de novo a paisagem branca plena de neve. Eu assim acredito, por isso escrevo mais uma vez, e continuarei sempre que acreditar.
Chegar a casa e não ter uma carta tua assustou-me e alertou-me para o facto de já não saber viver sem a companhia. Ainda que a tua carne não se encolha entre os meus dedos, o teu cheiro estará sempre na minha mão.
Assim me despeço, breve e vago, para que sintas apenas o calor suficiente para aquecer sem queimar.
Um beijo teu, sempre teu.
Não vou pedir desculpa pelo que disse na última carta, não vou retirar o que disse, o que fiz e disse tem o seu tempo, lugar e razão que felizmente já não me são comuns. Guarda a última carta, queima-a, esquece a última Quinta-Feira ou lembra-te dela sempre que puseres na rua. Não te vou pedir nada do mesmo modo que não vou aceitar os teus pedidos em relação a isto.
Fui passar o fim-de semana com os meus pais e é graças a isso que ainda te consigo escrever. Ainda me roda a cabeça, ainda sinto o suor nas costas mas já consigo olhar-me ao espelho e ver o teu anel no meu peito. A minha mãe não me perguntou nada que não fosse necessário e isso deu-me a paz de espírito para poder organizar-me. O chão gelado da fonte contra os meus pés frios também me ajudou muito.
Não sei se te vou conseguir ver nos próximos tempos, mas o nosso passado deixa-me o sabor de certeza que tudo isto passará. O amor, o desejo,o desgosto, a tristeza e o ódio, tudo passará e deixará de novo a paisagem branca plena de neve. Eu assim acredito, por isso escrevo mais uma vez, e continuarei sempre que acreditar.
Chegar a casa e não ter uma carta tua assustou-me e alertou-me para o facto de já não saber viver sem a companhia. Ainda que a tua carne não se encolha entre os meus dedos, o teu cheiro estará sempre na minha mão.
Assim me despeço, breve e vago, para que sintas apenas o calor suficiente para aquecer sem queimar.
Um beijo teu, sempre teu.
2 Comments:
Uffff;) Breve mas intensa...ra aí está mais uma pérola do "nosso" Pedro....
Beijinho grande
Gui=)
E que pérola!
Sei lá o que hei de comentar!?
Gosto da tua flexibilidade. Da capacidade que tens de escrever grandes testamentos e ao mesmo tempo telegramas não menos profundos, Pedro. Sabes que nem toda a gente o consegue fazer com a tua facilidade...
Gosto da maneira como acabas as cartas. dos beijos que deixas sempre de maneira diferente e sempre inesperado. O meu favorito continua a ser "Um beijo, meu amor" mas este..."Um beijo teu, sempre teu." não lhe fica atrás.
Sim... já sei que comento pormenores parvos , mas se não o fizesse não era eu. Tal como sei que este blog não teria a magia que tem se não fosse escrito a duas mãos por ESTE Pedro e ESTA Helena.
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